Provavelmente no meio do percurso de te amar perdidamente, eu adoeci. Deu tempo de você partir, mas eu permaneci. Insisti em ficar num lugar que eu desconheço. Você foi embora aos poucos e levou um pedacinho de cada vez. Chegou a ser cruel não ter olhado pra trás enquanto eu desfalecia. Você me deixou com o suficiente, o básico pra viver, mas eu sempre fui intensa e não há mais você para eu me aprofundar.

Eu dizia que viver sem você ia doer, seria interessante se você tivesse dado atenção…

Eu não sei te dizer adeus. Porque você está no café, na lanchonete e encostado na pia olhando pra mim. Porque você está na catraca do metrô e na sala ao lado na faculdade. Porque você está em todas as músicas que tocam na rua e em todos os filmes que eu tento assistir. Eu não sei te dizer adeus porque você ainda arde em mim, e o meu coração descompassa quando ouve o seu nome.

Eu procurei você em todos os lugares, e não te acho de jeito algum… Se você não volta, pode me devolver pra mim? Assim eu arranjo um canto qualquer pra te esperar.

Não ligo de te esperar uma vida inteira na praça, com uma garrafa de bebida barata na mão, mendigando moedas, envolta em rostos desconhecidos. Se no final de tudo você disser que ainda me quer, eu digo que dá tempo.

Então lembro que estou vazia.
Você não queria que eu esperasse, certo?
Talvez eu precise de remédios.
Eu não sei te dizer adeus.

Eu vi a chuva parar, eu vi o sol nascer, vi a estação mudar, vi a gente amadurecer. Eu vi a faculdade acabar, pensei em enriquecer. Eu senti a vida passar, e você envelhecer. De tudo, eu vi um pouco. Só não te vi chegar.

– Gi Farneti (escritor parceiro)

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Um pouco sobre ela: Uma simples estudante do Ensino Médio, que em meio ao caos do monótono cotidiano, e das profundas paixões, faz das palavras, o seu abrigo. Caminhando pra cursar Direito, fez-se poesia! Percorre os extremos entre ódio e amor em cada verso!
Página: www.facebook.com/gifarneti