“(…) O término está por vir, estou sentindo. Já vejo seu rosto triste, seu jeito amargo se aproximando. Acho que o nosso amor virou uma doença, daquelas terminais. É como se o meu sentimento fosse uma pessoa enferma, esperando apenas a morte chegar. Eu sou metade desse amor, e assim, faço parte desse momento tão sofrido. Não é tão fácil cometer a eutanásia.

Nos momentos de crise, tentei desligar os equipamentos, interromper os batimentos cardíacos, mas depois voltei atrás. Tinha medo de não dar ao coração a chance de um suposto milagre. Nas primeiras vezes fiquei na esperança de uma recuperação, de uma mudança que me fizesse superar toda a dor sentida. No entanto, percebi que não há como mudar nada, não há melhora, não há jeito que se dê quando algo realmente precisa partir. E assim é o nosso amor.

Só não sei a hora de dizer, adeus.”

Camila Barretto.

Trecho do texto “Eutanásia”