Quando percebemos que um método não está funcionando, precisamos achar outra alternativa para fazer algo dar certo. E assim também devemos agir quando tentamos ensinar uma coisa difícil a alguém, mas ainda não conhecemos, suficientemente, suas próprias limitações.

Tudo piora, quando este alguém somos nós mesmos, e só resta ao “ser interior e racional” que mora lá dentro, exercer este papel de educador sentimental. Tentei educar meu coração durante muito tempo, tempo suficiente para entender que ele é resistente demais para aprender a disciplina do Esquecimento. Achei que ele tinha déficit de atenção, ou simplesmente ignorava o que, desde sempre, lhe foi explicado.
Como se não bastasse, meu coração ainda estava se tornando uma péssima influência para os meus pensamentos: distraindo-o completamente com suas palpitações inoportunas, e influenciando-o negativamente com seus discursos frequentes sobre saudade. Perdi muito de mim forçando uma amnésia impraticável, até que notei que os meus pensamentos também já não eram mais os mesmos. Agora tenho pensamentos sentimentalmente corrompidos. Agora, fui vencida pelo cansaço das lembranças infinitas e entendi que me restava apenas aceitar: meu coração não foi feito para esquecer, foi feito para sonhar exaustivamente e remoer o desgosto do que já (ou jamais) lhe pertenceu.
Ensinarei, por fim, meu coração a se lembrar, da forma menos dolente possível, o que dificilmente será expurgada de sua essência: a insistente memória de um amor mal-esquecido.

Camila Barretto.