Dessa vez, você não me deixou marcas aparentes, mas meu corpo ainda está sob os efeitos incômodos do nosso último encontro. Dessa vez, não houve o carimbo dos seus beijos estampando, como num borrão vermelho, os arredores da minha nuca e dos meus seios. Mas, apesar de não ter na minha pele nenhum registro após sua partida, ainda lembro-me dos seus dedos me puxando firmemente pela cintura, ainda sinto seus beijos quentes na minha boca, os quais foram, deliciosamente, depositados enquanto você me possuía sem quaisquer sutilezas.

Após tantas acrobacias em busca de um prazer explosivo, minhas costas, no dia seguinte, acordaram reclamando e meus quadris ainda sentem os reflexos invisíveis dos nossos movimentos tão displicentes. Após nossa fome pelo gozo pleno, minhas pernas, ora cambaleantes, ainda não se recuperaram do prazeroso exercício de encaixá-las ao redor do seu pescoço, do meu anseio incessante em manter todos os caminhos abertos para te ter aqui dentro, seja lá como fosse. Eu te pedia cada vez mais fundo. Você me queria de novo e de novo.

Dessa vez, meu corpo sentiu, mais profundamente, os efeitos do seu jeito gostoso de fazer amor. Contudo, não obstante à dor física que me invade de lembranças, ainda restou aquela velha dorzinha do desgosto, que aparece, quase que imediatamente, sempre que vestimos, de forma apressada, nossas roupas. Dor que me aflige e que me atinge pontiaguda, toda vez que você diz, em completo silêncio, que acabou nosso tempo e que não sabe quando – ou se – nos veremos de novo. Esses são os piores reflexos do nosso “amor sem gentileza”, que satisfaz meu corpo e meu ego em tantos sentidos, mas que, no fim, deixa meu coração sempre vazio.

Camila Barretto.