Com a quantidade de informações exacerbadas que encontramos nas redes sociais, movidos pela pressão da mídia que nos influência significantemente, e com a necessidade que nos cerca de sermos aceitos em “grupos”, vamos pouco à pouco, cedendo às exigências impostas pelos mesmos. Não entendeu? Me acompanhe que te explico no caminho onde quero chegar com essa conversa…

Um dia desses,  uma amiga estava relatando sobre um cara que acabara de conhecer. Segundo ela, o mais novo parceiro da área parecia muito legal, tinha papo fluente, era aparentemente arrumado, mas tinha um problema: ele usava All Star. Para a minha surpresa, ouvi ela dizer isso como sendo o pior de todos os obstáculos a ser enfrentado, um defeito irrevogável. Deu a sentença que definiria o fim da relação na qual nem teve forças para continuar por um defeito mínimo, o qual ela mesma, se estivesse disposta, moldaria com o passar do tempo.

Deixar o cara de lado pelo fato de usar um tênis que não a agrada, é burrice elevada em uma grande escala. Não há dúvidas que ele possui virtudes que ofuscam essa característica, mas os padrões engessados de apego à imagens a impediram de agarrar,  talvez,  a grande oportunidade de ser feliz.

Tá na hora de deixar de lado os mundinhos rasos, os detalhes que não fazem diferença alguma, para encontrar os amores profundos.

As regras estabelecidas sobre os conceitos do que é bonito são muito pouco importantes. Tem tanta gente legal por aí, de All Star, de meia ou descalço, querendo ser encontrada, amada. E enquanto estivermos dando valor ao que não se tem, deixaremos passar muita coisa bacana. No dia que resolvermos nos curar dessa cegueira, seremos capazes de perceber que a beleza do estético agrada apenas aos olhos. É com bem traduz o Saint-Exupéry: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”