Toda vez que você aparece, seja num oi ou numa foto, o meu tempo para. E, durante este hiato, eu lembro que não é bom se apaixonar. Afinal, saímos da nossa zona, não de conforto mas de sensatez. Fundamentamos nossas decisões sobre belos e saltitantes olhos negros que nos convidam a um vício como se nosso cérebro tivesse receptores nervosos exclusivamente dedicados a tais prazeres.

Não importa qual o seu e o meu momento atual; eu simplesmente perco noções do presente e da normalidade, e me sinto compelido a tomar o primeiro avião pra sua cidade. E quem disse que, quando eu tomei um avião pra sua cidade com outros motivos, eu não dei um jeito de lhe ver, como se aquele fosse o objetivo principal?

Mas eu não posso me apaixonar. Eu não posso desviar da minha estrada só porque seu sorriso é um “vem cá” sem tamanho, só porque nossas rarefeitas conversas me prendem feito biografias de artistas que floresceram e sobreviveram em meio à ditadura de 64, só porque tenho esperança de isso virar algo que me complete.

Eu me basto? Se você me quiser, serei suficiente para mim e algo mais pra você? Por que lhe envolvo nas minhas perguntas se só eu tenho as respostas? É por isso que não posso me apaixonar por você. Senão você invade as questões que preciso responder antes de lhe amar (se amarei), com ou sem paixão.

Enquanto isso, meu canto de boca revela o sorriso ao ver que o seu surge de surpresa em redes sociais quaisquer.

 

 

Paulino Solti (escritor parceiro).

Um pouco sobre ele: de dia, analista de sistemas; à noite, um poeta em construção. Um ser que oscila entre exatas e humanas, tal qual sua personalidade: uma gangorra em que brincam o “pé no chão” e o “sonhador”.

Página: www.facebook.com/paulinosolti