Olhando para aquelas frases, aquelas fotos, percebeu que aquela vida não fazia mais parte dela. Ela não era mais a mesma e nem queria ser. Ansiava pelo futuro e tudo aquilo que ele poderia trazer consigo, e jurou para si mesma que deixaria de sentir saudades de algo que nunca existiu. Ou melhor, que existiu apenas de um lado, o dela e na cabeça dela. Mas como conseguiria seguir em frente com toda aquela bagagem, com todo aquele peso do passado? Com tantas marcas de alguém que já seguiu faz tempo e que conseguiu reconstruir a sua vida muito bem sem ela?

Alguém que, ao contrário dela, estava feliz.  Alguém que não precisava carregar tudo dentro de si para sentir o coração batendo.

E foi assim que ela percebeu que se quisesse ser feliz também, um dia, precisava seguir. Então, ela apagou tudo de uma vez e se deletou junto com tudo aquilo que não fazia mais sentido para a sua vida. Ela não precisava levar nada, tudo aquilo era pesado demais para se carregar e ela sentia-se leve, com um sentimento de liberdade que há muito nem se lembrava. Aquele passado não fazia mais parte dela e não esperava mais nada dele e nem de ninguém. Não queria mais promessas, nem lembranças e muito menos esperança.

O passado já não lhe fazia bem.

Aquela garota que tanta gente conheceu não existia mais. Foi como se ela nunca tivesse existido. Ela renasceu das cinzas como uma fênix e está mais forte do que nunca, pronta para enfrentar o mundo com os olhos bem abertos e os pés fixos na realidade. Às vezes, é preciso apagar o passado para poder escrever uma nova história. E ela, finalmente, estava pronta para começar a rabiscar em seu livro em branco. Pronta para reescrevê-la, mais bela do que nunca.

 

Carla Rocha (escritor parceiro)

 

– – – – – – – – – – – – – – – – –

Um pouco sobre ela: Mineira de certidão e paulista de coração. Amante de café, citações e boas histórias. Metade clichê e metade metamorfose ambulante que acredita sempre no melhor das pessoas e, acima de tudo, no amor que move montanhas e refaz corações partidos. Como toda boa libriana, está sempre  perdida em algum lugar, no meio termo.

Página: www.facebook.com/Dramalhices