Fez-se mar,
De tanto engolir o choro,
Na constelação do meu corpo.
Por Via Láctea teu universo,
Bebe minhas estrelas,
Toda vez que me proponho
A alcançar a centelha,
Que já não está lá.

Carimbando um passo após o outro
Na areia da derradeira praia,
Que teus pés se confundiam com os meus.
O que dói não é tua ausência,
É a presença do vácuo nas mãos,
Do sol menos quente,
De ter uma só estrela,
Servindo de constelação.
E o tempo rindo de tudo isso,
Velho barbudo de saúde impecável.
Nas costas a ferida aberta e exposta
Mas o vento amigo,
Sopra e assopra na intenção de aliviar a dor,
Seja como for ele tenta.

Em cada passo tento, reinvento, crio
Um motivo para o dilúvio virar assobio.
E assim pelos cantos dos moinhos,
A mastigar minutos em forma de dias,
Vou consumindo a roda do tempo,
A girar, girar, girar,
Enquanto a gente acha
Que sabe do amor,
Sem saber amar.

 

Antonio Hélio (Escritor Parceiro).

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Um pouco sobre ele: “Escrevo desde adolescente como forma de respirar melhor no mundo. Sou analista de sistemas por profissão, mas a escrita sempre esteve muito ativa em meu cotidiano. Nordestino de Sobral-CE, vim pequeno para São Paulo com irmãos e pais para tentar a vida e ainda continuo tentando. Algumas perdas e ganhos no caminho me fizeram entender que nossa oportunidade de criar a saudade do amanhã, existe somente no agora. A poesia é de quem lê, costumo dizer (mas leia os créditos também rs), e isso me impulsiona a continuar escrevendo. Tenho planos de escrever um livro de poesia esse ano, em memória do meu sogro que faleceu ano passado, Sr. Elio. Enquanto isso, a gente se expande e derrete na leitura de toda gente que nos acerta.”

Página: www.facebook.com.br/amuletopoetico