A porta mal se fechou, e nós já estávamos grudados num beijo fogoso de quem não se via há milhares de anos. Me deixando sem qualquer reação, ele me empurrou contra a parede, friccionando seu corpo no meu. Num rápido movimento, minhas costas atingiram os interruptores, fazendo com que as luzes daquele quarto piscassem, freneticamente, como num galpão abandonado. Considerei aquela alternância entre luz e escuridão, algo extremamente excitante. 

Ele notou meu sorriso devasso no rosto, e, imediatamente, segurou meu queixo e lambeu, deliciosamente, meus lábios. Meu sorriso malicioso deu lugar a uma expressão extasiada, e eu logo imaginei os efeitos que aquela língua me causaria, se fosse passada em outros lugares mais “escondidos”. Sim, eu queria sua língua me lambendo daquele mesmo jeito safado. A cada beijo de tirar o fôlego, eu sentia o calor entre a gente aumentando. Estávamos com muita vontade de pertencer um ao outro. Vontade de receber e dar prazer do nosso jeito. Vontade de fazer cada milésimo de segundo daquele encontro valer a pena.

Enquanto eu me lambuzava com o suor salgado da sua pele, ele sussurrou em meu ouvido que estava morrendo de saudades. De imediato, me arrepiei dos pés à cabeça, e o puxei pela nuca de um jeito impetuoso. Pelas minhas atitudes, é claro que eu também estava morrendo de saudade – e de tesão. Eu também queria dizer que eu sentia imensamente a falta do cheiro dele, mas, da minha boca só se conseguia ouvir um gemido abafado de um prazer, há muito tempo, disfarçado. Há tantas noites eu desejava aquilo… Suas mãos me torturavam ao deslizar, impetuosamente, por debaixo do meu vestido, pelas minhas coxas, pela minha bunda. E eu adorei quando ele a apertou, com firmeza. Eu me controlei, mas juro que senti vontade de arranhar seu corpo todo. Num misto de paixão e lascívia, eu queria, naquele mesmo instante que ele me penetrasse com força. Mas eu queria isso de outra maneira.

E foi aí que eu senti falta dos seus dedos. Eu queria senti-los naquele exato momento. Eu queria que ele soubesse o quanto me deixava no ponto. Então, segurei sua mão e ordenei que ele enfiasse seus dedos, rapidamente, por dentro da minha calcinha. Numa urgência nervosa, eu quase supliquei que ele não os tirasse dali, pelo menos, enquanto eu desabotoasse os infinitos botões da sua camisa. Ele puxou minha lingerie para o lado, me fazendo morder os lábios, e ficar ainda mais ofegante. Enquanto ele me penetrava sem qualquer gentileza com dois ou três dedos, eu arqueava meu corpo, e ficava cada vez mais molhada. Se ele me deixava assim só de me olhar com malícia, imagina me pegando desse jeito?

Minha boca foi secando, e, não sei como minhas mãos trêmulas conseguiram abrir botão por botão. Numa pressa de tê-lo despido, tive que conter a vontade imensa de rasgar aquele tecido em mil pedaços. Mas aquela camisa listrada era a minha favorita. Aquela era a camisa social que ele usou na primeira noite em que ficamos juntos e que eu vesti, momentos antes de sentar no colo dele. Foi vestindo apenas aquela peça de roupa, que ele me olhou no fundo dos olhos, louco de desejo, e gozou, pela primeira vez, dentro de mim. Isso foi há tantos meses. Mas como posso me esquecer da sensação de tê-lo, completamente hipnotizado, debaixo do meu corpo?

Perdida em tantas lembranças da gente, abri os olhos, ao sentir sua ereção contra minha pele eriçada. Quando me dei conta, sua calça já estava jogada num canto, junto com o meu vestido e o restante das nossas roupas amarrotadas. Ele estava completamente nu, em minha frente. Eu, ele e cada pedacinho daquele corpo sob medida. Intuitivamente, me agachei, e me enchi de vontade de chupá-lo por inteiro. Eu queria o seu sabor afrodisíaco. O sabor da sua ereção molhada que me dava ainda mais água na boca. Eu o segurei com firmeza, e o lambi generosamente. Dei duas longas sugadas sentindo em minha língua aquela textura maravilhosamente macia, até conseguir deixar seu gosto registrado em meu paladar. Mas eu não fui além de duas breves chupadas. Eu não queria saciar minha vontade daquela maneira. Eu queria, antes, provocá-lo mais e mais, de outros jeitos. Eu desejava, em silêncio, que ele continuasse aquela brincadeira de adulto, debaixo do chuveiro.

Mas ele preferiu me segurar pelo cabelo e me levar até a cama. E, de repente, seu rosto suado estava novamente colado no meu. Seus mamilos estavam tão arrepiados que me fizeram sentir o frisson do atrito entre a gente. Ficando por cima, ele me penetrou devagarinho, deslizando com carinho, pra frente e pra trás, me fazendo lembrar que o nosso sexo-fogo também nos dá espaço pra fazer amor de verdade. Totalmente entregue àquele momento de intimidade, também deixei que ele saciasse a vontade em provar do meu gosto. Enquanto sua língua estava massageando, lentamente, meu clitóris, eu senti minhas pernas, pouco a pouco, trepidando. Seus dedos também entraram na brincadeira, tornando ainda maior a minha vontade de fazer o mesmo com ele. Eu não resisti e pedi que fizéssemos, pela primeira vez, um “69″. E assim, para a satisfação de mais um dos meus ocultos desejos, ele concordou imediatamente.

E lá estávamos nós. Eu fiquei de quatro, e, sem qualquer vergonha ou pudor, ele me chupava, me lambia, me mordia, e enfiava a língua e os dedos onde bem entendia. Por outro lado, eu também tentei devolver os mesmos agrados, mas, senti que, dessa vez, eu estava numa situação muito mais submissa do que dominadora. E eu gostei disso. Eu realmente queria que ele tivesse aquela visão privilegiada do meu corpo, por isso, deixei que ele sentisse prazer ao me possuir daquele jeito, de todos os jeitos que ele tivesse vontade. Afinal, foi isso que eu sempre gostei na gente. O insubstituível prazer de nos sentirmos completamente à vontade.

Tomado pelo desejo incontrolável de ser saciado pelo meu gozo, ele queria continuar por ali mesmo, mas, resistindo a essa proposta tentadora, eu o convidei para tomar um banho. Lá fora, o tempo corria. Meu coração estava completamente acelerado, pois, há tanto tempo, eu estava com vontade de agarrá-lo debaixo do chuveiro. Estava quase tudo escuro, e só uma fresta de luz do quarto adentrava o box onde entramos, aos beijos. Naquele momento, já nem lembro se a água estava demasiadamente quente ou gelada. Só sei que, entre mordidas na orelha e gemidos no ouvido, ele me levantou e me fez sentar num batente, que serviu perfeitamente de apoio, para que ele me penetrasse de uma maneira mais confortável. E, convenhamos: foi delicioso. Minhas pernas ficaram ao redor do seu tronco, os meus braços abraçaram seu pescoço, e, enquanto ele se encaixava em mim em um ritmo constante, eu deslizava minha língua e sentia o contato frontal dos nossos corpos molhados. Nem a água corrente conseguia retirar seu perfume. Nem a água corrente conseguia apagar nosso fogo.

Ele me pediu um oral de novo, e mesmo que ele não tivesse pedido, eu teria feito por livre e espontânea vontade. Aquele homem era gostoso demais. Pedi que ele segurasse meus cabelos molhados, e assim, ele me deu acesso exclusivo àquela visão arrebatadora. Ele estava ereto e pronto para ser engolido. Me agachei e o chupei com gosto, e o vi pedindo cada vez por mais e mais. Estava tudo indo tão bem, mas aqueles dedos safados que me penetraram há alguns minutos, me deixaram com uma imensa vontade de fazer por traz.

Isso. Com ele, eu queria sexo de todos os jeitos.

Assim, tomada pelo desejo de me sentir completamente satisfeita — e de satisfazê-lo com as minhas vontades mais selvagens — eu virei pra parede e experimentei a água deslizar, lentamente, pelas minhas costas. Com a voz suave, eu revelei meu desejo. Enquanto, com a mão esquerda, ele tentava achar um jeito sutil de me invadir pelos fundos, sua mão direita me masturbava me deixando à beira da explosão de um orgasmo. Por fim, nessa louca mistura de medo e querer, elixir e aflição, eu me senti completamente dele, mesmo que por aquele breve instante. E eu gemia, e tremia, e me sentia entregue a ele e ao jeito gostoso que ele sempre faz.

Infelizmente, o nosso tempo estava acabando, o que nos fez voltar pra cama pra terminarmos de saciar os nossos últimos anseios. Eu estava exausta, mas ainda assim, faria tudo de novo. Ainda molhados do banho, ele pôs seu corpo sob o meu, deixando em nossas peles uma sensação maravilhosa ao serem tocadas. Gotas de água escorreram pela minha barriga, o que só aumentou minha vontade de, um dia, transarmos em uma banheira. Do jeito que eu gosto, ele levantou meus quadris e me colocou em uma das minhas posições preferidas: aquelas que deixam minhas pernas em seus ombros e possibilitam que se alcance melhor o Ponto G. Essa é a posição que também o sinto mais profundo e que me causa um incômodo interno inevitável, especialmente, quando ele enfia com tudo, com toda vontade. Ainda não sei se odeio ou se venero essa sensação. Eu só sei que, de um jeito esquisito, ela é muito boa. Eu diria até, viciante. Porém, junto ao êxtase de me sentir tão preenchida, uma dor latente sempre se mistura. E assim, enquanto eu arfava e gemia, ele, sem qualquer piedade, buscava alcançar o seu ápice. Ele ia e voltava, mais e mais, ignorando qualquer pedido meu pra darmos um tempo. E assim, ele gozou dentro de mim, como há tempos não fazia. Como há tempos, ele desejava. E, sem saber, ele também saciou minha vontade momentânea. Mas não esgotou meu desejo insaciável de tê-lo de novo.

De tê-lo, não apenas por uma hora inteira, mas, ao menos, por um fim de semana.

Camila Barretto.