“Eu sei…”
O amor em sua performance é brando, admirável, suave, encantador, lindo, dócil e todas as outras características que possam tornar a vida mais amena, alegre e colorida. Desde que o mundo é mundo, sabe-se que o amor é linguagem universal de todos os afetos, o delírio dos apaixonados, a doação pura e total pelo outro, o sentido pleno e real da existência humana. Tomar consciência dessa verdade e aplicá-la na prática do dia a dia é conhecer o melhor dos sabores, é experimentar as mais sofisticadas delícias.

“…É um doce te amar…”
Das sensações boas e agradáveis da vida, encaixo os meus sentimentos. Campo sagrado e também profano, a maior riqueza que tenho a honra de possuir. Amar você é cometer diariamente um dos sete pecados capitais: a gula. É encher a barriga após o almoço e sentir-se satisfeita somente após um docinho. E por menor que seja, faz uma diferença danada no meu humor, na ansiedade controlada e no paladar adocicado que aliena, complementa, sacia. É assim com você. A doçura das minhas recordações contigo misturada com brandura, tem gosto de rapadura. O corpo pede, os neurônios obedecem: é “d’oce” que eu preciso. O doce ao meu ver, é a melhor parte de todas as refeições, já você, meu bem, é a melhor parte do todo que sou.

“… O amargo é querer-te pra mim.”
É dessa forma que diz a canção e é precisamente dessa maneira que interpreto quando sou invadida pela súbita vontade de tê-lo comigo. É AMARgo amar sozinha. É áspero guardar tanta coisa bacana por causa da sua covardia em não assumir o que sente e eu sinto muito, por não querer sentir mais nada. É amargo saber que você anda por aí, degustando outras bocas para encontrar o deleite que só a minha é capaz de te proporcionar. É amargo enterrar o nós que fomos, aos nós atados que se formaram ao longo tempo. É amargo evitar a minha presença, por saber que fica inquieto, desconcertado, fora de si. É amargo saber que causo perturbação, sendo que a minha única intenção é causar-te um “doce-estar”.

 

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”