“(…) Acho que todas as pessoas, lá no fundo, têm um girassol plantado. A diferença é que muitos sabem e lidam com a sua existência de forma tranquila; outros, no entanto, desconhecem ou ignoram seus efeitos. O girassol, nada mais é, que uma metáfora para representar a nossa frequência afetiva.

Já é a segunda vez que uso essa terminologia, mas o que isto, exatamente, significa? Imagino que essa frequência está intimamente ligada ao nível de presença que exercemos na vida das pessoas importantes para nós, e também, na forma como evidenciamos isso. Essa frequência também envolve o jeito de lidarmos com demonstrações de afeto. 

Existem aqueles que ficam longe, mas ao primeiro chamado, estão prontos para ajudar. Existem aqueles que estão presentes o tempo todo, mas nem sempre podemos contar. Há quem “não goste” de receber carinho ou de demonstrar seus próprios sentimentos. Há quem demonstre seu amor, apenas se receber algo em troca. E há também, quem ande por aí com o coração vulneravelmente aberto, distribuindo intensamente seus sentimentos, mas precise, de repente, de um tempo pra si, para se recolher, para se conhecer melhor.

Assim, para cuidar bem dessa flor peculiar, se faz necessário se autoconhecer e colocar em prática a arte da empatia, tentando entender e tolerar o outro da maneira como ele é. Conviver, diariamente, com esse difícil jogo das relações sociais é complicado. É claro que existem situações excepcionais, mas, algum dia na vida, fazemos alguém se apaixonar pela gente e não ficamos, igualmente apaixonados. Ou amamos intensamente, e não somos, do mesmo modo, correspondidos. Podemos, por fim, querer bem alguém, mas nem sempre, existir verdadeira reciprocidade. Sorte de nós, se nós bem soubéssemos o que Vinicius de Moraes quis dizer com esses desencontros.

ps.: Espero que volte a gostar de girassóis. Eles também moram dentro de você. ”

 

Camila Barretto.

Trecho do texto Efeito Girassol.