Ele seduz sem sentir e não sabe disfarçar o que sente. Quando ele fica sem graça, aperta os olhos e sorri meio de canto, e usa uma tática infalível de mudar de assunto toda vez que quer fugir da discussão. Enquanto eu sou silêncio e poesia, ele é piada engraçada, ele é assunto que não acaba mais.   

Ele tem um modo inconfundível de andar. Um jeito desajeitado que eu conheço e reconheço a longa distância, mesmo com a minha proeminente miopia ou minha constante falta de atenção. Ele tem um jeito de pedir pra ser beijado, um abraço gigante que vale mais que mil palavras e uma forma singular de mostrar sua intenção. Ele tem um jeito perigoso de chamar minha atenção que me derrete por dentro e faz eu perder meus pedaços por onde passo.

E é assim que ele é: bonito em pequenos detalhes. No zelo, no tato, no que só é visível ao coração. Ele me faz reparar em coisas que você nem vai notar. Por isso, já vou te contar um segredo: ele mexe as sobrancelhas, involuntariamente, toda vez que se sente vulnerável, como se elas quisessem nos lembrar que, por detrás daquele homem levado, ainda morasse um ingênuo menino.

Ele tem um timbre que acalma e liquefaz. Uma voz macia ao telefone, que mais parece sussurro de brisa em meio ao nosso furacão. Ele tem um sorriso largo que cabe numa boca tão pequena, um olhar inocente que desmonta muita gente, uma gargalhada tão gostosa que dá vontade de levar pra casa e comer no jantar.

Ele é bonito demais, você não tem noção.

Camila Barretto.