Sentimentos verdadeiramente bons entre as pessoas, hoje em dia são tão difíceis de ser encontrados. Hoje é tudo tão superficial, insosso, entende?! É como um tesouro que estamos sempre à caça e quando encontramos, dá uma sensação agradável que não sei explicar. Encontrar algo fora do comum, que nos assegura, que consegue nos prender a alguém, dá vontade de cultivar ao máximo de tempo que der, estender sem prazo determinado, porque é único, é raro. Isso me motiva, impulsiona a sair de mim mesma, quebra o orgulho, a minha autossuficiência, rompe os paradigmas que tracei em outrora e me faz estar disposta a tentar outra vez. Não ter medo de arriscar e jogar todas as cartas que tenho na manga – e lá se foi a última. É assim com você.

Então vamos… Retomo o fôlego, penso pouco pra minha consciência não desistir da decisão encorajada e busco forças do além. Entro em cena, e o roteiro estabelecido foi: a beira precipício. Ensaiei o texto que seria recitado logo mais, apliquei técnicas de respiração que aprendi recentemente em um curso de socorrista, mandei informações para o cérebro que estava tudo sob a mais perfeita (des)ordem, procurei um ambiente confortável, ainda que isso fosse impossível naquele momento. As mãos suavam e a saliva não era produzida. Eu estava no corpo de uma adolescente que desejava reconciliar-se com a primeira paixão, disposta a fechar qualquer negociação em troca. A conversa foi lacônica e definitiva. O seu discurso me tirou do chão. As falas que programei por inúmeras vezes em frente ao espelho evaporaram, se perderem junto com a ideia inventada de quem era você. Ofereci mais do podia, fiz promessas irrealizáveis e entendi que a gente tende a esses tipos de posicionamentos quando estamos prestes a perder o que tanto nos custou.

Ainda assim, de nada adiantou. Porque o amor estava distante de ser tratado como negócio.

Pra finalizar ouvi: “você tem um coração maravilhoso e isso é o que tem de mais bonito.” Acompanhado de um: “sinto sua falta, mas é melhor ficarmos distantes.” Na hora, não pude processar o que foi dito, engoli a seco, pois o que tinha de mais bonito estava te dando livremente e você rejeitou. Não dava pra acreditar; estava diante do seu desejo em me ter explicitamente reprimido. Essas questões são as que mais me fazem quebrar a cabeça em relação a ti: se sente saudade o que te impede de me ver? O que te impede de ficar comigo? Há vontade, há desejo, há química, há sintonia. Me diga o que falta? Pra mim, os fatores externos a nós dois são detalhes, já que podem ser resolvidos e adaptados, se dá um jeito. Para as coisas que citei, se não tivéssemos em comum, não haveria a maleabilidade, então o mais difícil de ser conquistado, nós já temos.

Escolhi você, porém essa escolha foi e continua sendo negada.

É uma pena.

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”