Quando se trata da nossa história complicada, posso até me arrepender de algumas coisas que não fiz: de não ter te visto mais vezes, de não ter te roubado um beijo na chuva, ou de, em alguns momentos de dúvida, não ter segurado sua mão. Coisas que, na verdade, não dependiam só de mim. Mas nunca, – felizmente, nunca – me arrependerei por ter jogado limpo com o meu e com o seu coração. Eu nunca ficarei com dúvidas se, de fato, fui totalmente sincera com minhas vontades e sentimentos. Se você me queria, e eu queria você, por que me fazer de difícil? Pra você, eu me entreguei facilmente, ponto e fim.

Diferente das muitas vezes em que eu deixei o tempo se encarregar de tudo, em que eu me escondi atrás da minha própria insegurança, ao te conhecer, eu fui daquelas que teve pressa em fazer acontecer. Eu fui atrás, não fiz charme, não fiz joguinho. Eu levei a sério e me envolvi por completo, eu lutei por aquilo que eu acreditei ser mais forte que eu. Eu nunca me senti confortável ao ouvir de você um “a gente marca um dia” ou um “a gente se vê por aí”.  Comigo era na base do “é agora ou nunca”, “vamos? vamos!” ou “estou com saudades e estou passando aí pra te ver”.

Já ouviu falar em imediatismo? Ele tornou-se, desde então, o meu sobrenome.

Com você, eu sempre busquei a definição exata de um verbo no presente: eu gosto, eu sinto, eu preciso. Eu deixei explícito, desde o primeiro dia, o impacto estrondoso que você causou em minha vida. Você sabe que minha paixão esteve estampada em minha cara meio sem-vergonha, no meu jeito meio tímido de dizer que sim, e nos meus convites com terceiras, quartas e quintas intenções. Assim, eu fui simples como deveria ser. Fui clara, como você deveria ter sido sempre comigo, mesmo naqueles momentos em que você não conseguia agir assim.

Enquanto eu me recuperava de um furacão que batizei com seu nome, eu revelei, sem quaisquer eufemismos, minha paixão de trás pra frente, em letra de forma, com luzes de neon. Eu fiz um cartaz com as minhas verdades, eu pendurei um outdoor em frente ao meu corpo, eu joguei limpo de forma intermitente. Por isso, tô nem aí se pensarem que eu fui “fácil”. E quer saber? Eles não fazem ideia do porquê dos meus beijos, eles não conhecem um terço dos meus complexos pensamentos e intenções. O que importa é o que tudo isso significou pra gente, e que foi minha sinceridade que, por tantas vezes, aproximou os nossos corações perdidos.

Enfim, ao seu lado, eu fui a personificação da franqueza ao quadrado, eu fui exatamente a menina que para tantos outros eu escondi. Eu me senti livre. Fui autêntica, descomplicada, transparente. E se isso é ser fácil, meu querido, tudo bem. Sinceridade não deveria rimar com dificuldade, como tantos fazem por aí. Como já dizia o João Doedarlein, “de difícil basta todo o santo dia lembrar de coisas que eu não quero. De difícil basta não ter controle sobre o seu querer.”

De difícil, basta a história que a gente viveu, mas não poderá levar pra frente.

Camila Barretto.