Foi naquele dia chuvoso em que você me falou, pela primeira vez, seu nome, que eu tive certeza que seria difícil demais tirá-lo da mente. Quando eu me permiti olhar no fundo dos seus olhos, eu esqueci, instantaneamente, meus rasos propósitos de manter meu coração seguro. Eu emudeci diante de suas cores, eu descolori minhas antigas convicções. Mas seu olhar foi pintando cada canto vazio e escuro do meu peito, e, ao me encararem com tanta ternura, me deixaram ainda mais perdida. Aliás, foi um prazer ter me perdido, pois afinal, foi aí que eu te encontrei.

Nesse mesmo dia em que ficamos frente a frente, eu me interessei profundamente pela sua existência. Antes de tudo, não desejei seu corpo, mas sim, quis fazer parte, de algum jeito, do seu mundo. Após aquele momento, senti uma necessidade estranha de entender o motivo da minha fragilidade instantânea. Necessitei urgentemente te encontrar outras infinitas vezes, só para descobrir sobre qualquer coisa que te despertasse a atenção. Era como se você fosse um livro proibido com todos os mistérios e sete maravilhas, e, de repente, tudo o que eu mais ansiava era te ler sem quaisquer interrupções. E eu te li. E eu gostei do que vi.

Por isso, eu te disse: “foi um prazer te conhecer.”

Essa foi a primeira frase que dissemos um ao outro, enquanto sorríamos feito bobos e apertávamos nossas mãos. Até hoje, me pego lembrando o nosso sorriso. A partir daquele dia, eu redefini o significado dessa expressão. “Prazer” virou sinônimo de te ter ao meu lado. “Prazer” tornou-se teu sussurro quente no ouvido, o gosto molhado do teu beijo, teu corpo encaixado no meu. Pras outras pessoas eu nunca mais falei, com a mesma convicção: “muito prazer”. Porque, desde então, o seu querer virou meu vício, e o meu prazer tornou-se muito.

E, tão somente, seu.

 

 

Camila Barretto.

 

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”