A gente não se vê como antes. Decidimos não mais nos beijar. Nunca mais. Agora, só aperto de mão e abraço de amigo, em último caso, se a saudade apertar. Chega de mensagem adocicada, convite pra se encontrar em meio à nossa confusão.  Chega de dizer que sim. Mas, apesar dos sinais de fim, a gente ainda não terminou.

Prometemos um ao outro a distância necessária para recomeçar do um, porque do zero já não podíamos mais. A gente cortou nossos laços, feriu nossos egos, mas o nó entre a gente resolveu permanecer em nossos corações. Sobreviveu o nosso nó teimoso, feito eu e você que teimamos em somar o errado dois mais dois.

Depois de dias mais compridos que anos, restou o nó intragável na garganta, toda vez que meu olhar aflito fita o seu. A gente até que tentou, deu adeus e quase chorou, mas a gente não manda naquilo que não quer terminar. Naquilo que mal começou. É o peito que manda e desmanda, afinal.

Distância não esgota sentimento, apenas o guarda numa caixa apertada. Um dia, o sentimento pode até morrer sufocado. Mas entre nós ainda existe oxigênio. Atrito. Combustão. Não acabou o carinho quando a gente se abraça, o arrepio quando a gente se esbarra, o sorriso que tanto guardamos pra depois. Para nunca mais.

Deixamos de fazer amor, mas o amor não nos deixou. Foi por isso que, mesmo não te vendo como antes, a gente ainda não terminou.

Camila Barretto.