Depois de muitas indiretas, mensagens implícitas e olhares devoradores, eu me senti, diversas vezes, entre o inferno e o paraíso. Ao mesmo tempo em que eu me culpava pelo o que eu sentia, eu tentava deixar pistas de que eu realmente nutria um sentimento por você. Mas, os seus sinais me confundiam da cabeça aos pés, tal como diz aquela música do Djavan.

Eu te convidava pra fazer qualquer coisa, e você me dizia que não podia ir. Mas aí, a gente se encontrava por acaso e você dava na cara que estava louco pra me ver. Você me procurava e depois de algum tempo, desaparecia. O jogo fechado entre a gente, em dado momento, estava me deixando completamente impaciente. Enquanto eu continuava com a minha filosofia de não perder mais tempo, você parecia ter tempo de sobra pra deixar o jogo correr. Mais do que nunca, eu tinha certeza do impacto que sua presença me causava, e era torturante a ideia de que você só queria brincar comigo. Eu precisava saber, então, o que, realmente, você queria de mim. Claro que eu não esperava te ouvir falar de amor tão cedo. Mas eu precisava ter certeza que eu estava lidando com algo real, seja lá qual fosse o nome desse sentimento.

Até que um dia você me falou tudo sem rodeios. Assim, descobrir suas reais intenções transformou nosso joguinho infantil em um caso de gente grande. Você, na ocasião, me falou que estávamos “entre a cruz e a espada”. Ótimo ditado para referendar nosso dilema, mas eu ainda prefiro dizer que estávamos entre o inferno e o paraíso, afinal, diante do nosso querer, precisávamos sair daquele limbo do “talvez”. Era sim ou não. Mais cedo ou mais tarde, eu sabia que iríamos ceder ao “sim” que estava mais do que evidente.

Só precisávamos saber quando e onde isso aconteceria.

 

Camila Barretto.