Funciona, mais ou menos, assim: eu passo a semana te mandando mensagens, com direito a nudes e alguns textos provocantes. Marco um encontro no seu apartamento, compro um bom vinho doce e visto o meu melhor vestido. Apareço toda perfumada em sua porta, dou um selinho no canto da sua boca e aperto, de leve, sua nuca. Você se arrepia. Eu continuo. Você fica louco. Eu me afasto.

E assim, segue o jogo da maldade: eu sento à sua frente e cruzo minhas pernas, bem devagar. Você me observa. Eu retribuo o olhar. Você se aproxima. Eu peço espaço. Eu peço espaço, mas dou a entender que estou morrendo de saudade. Você hesita. Eu mordo os lábios. Você se excita. Eu continuo te olhando. Você fica louco, — de novo e de novo. E aí, eu levanto com pressa e te digo: “tenho que ir, não posso mais demorar”.

Eu te deixo em chamas, mas te largo num canto. Te vejo queimando, mas mando você ir com calma. E jogo querosene em sua roupa, dosando bem minhas palavras, só pro teu fogo aumentar. Eu não tenho pressa de apagar seu incêndio. Eu não tenho pena de te ver implorando. Sorrio maldosa, beijando seu rosto. E sumo por dias, apesar do “até amanhã”. E mesmo que eu demore mil anos pra te mandar outra mensagem, eu sinto que estou te ganhando, pois você, tomado por minha chama, sempre me aguarda voltar.

É terrível perder nesse jogo, concorda? Mas é exatamente assim que eu me sinto toda vez que você me procura.
Me provoca.
Me tortura.
Mas me manda, sem dó e sem pena,
Te esperar.

 

 

Camila Barretto.