Querer você não é uma questão de querer… é involuntário, é movimento peristáltico, é criança e brinquedo.
Você é um brinquedo no outro lado da vitrine; a vida é minha mãe me dizendo que na volta a gente leva.
Você é a volta do sentimento do querer sem poder; eu sou aquele cujo querer é torto.
Você é a tortura escondida na beleza e na virtude; eu sou o suspeito. 
Você é a suspeita de ser Deus encarnada em mulher; eu sou um mero mortal.
Você mata temporariamente os problemas quando está por perto.
Querer você é estar a um palmo de um precipício; um passo a mais e nada mais.
Amar você é procurar vida longe da Terra: um desperdício.
Mas ainda assim eu sou teimoso e lhe amo, pois a curiosidade e o desejo humano não têm barreiras.
Dormir e não sonhar contigo é morfina de graça para uma doença crônica: uma raridade e um alívio.
E seria um alívio não te querer.

 

Paulino Solti (escritor parceiro)

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Um pouco sobre ele: de dia, analista de sistemas; à noite, um poeta em construção. Um ser que oscila entre exatas e humanas, tal qual sua personalidade: uma gangorra em que brincam o “pé no chão” e o “sonhador”.

Página: www.facebook.com/paulinosolti