Demos por encerrado o que nunca imaginamos ter fim. Evidente, ninguém planeja começar uma relação com data de validade prevista, não é mesmo?! A conversa foi dura e exigia maturidade de ambas as partes, mas também não é pra menos; Fomos surpreendidos por nossos atos. Eu, pelo seu de não mais me querer, e você, pelo meu de te querer mais do que os 1392 dias que estivemos juntos.

Até quis respeitar a sua escolha, contudo, antes, teria que me explicar os motivos plausíveis que lhe acarretaram a ela. Era tudo que eu queria pra te deixar em paz. Mas logo caiu a ficha: “Que mentira absurda e sem tamanho!” A minha intenção era ser a sua própria paz. Dei ainda alguns murros no muro que estava sendo construído para nos dividir, porém não adiantou. Sua promessa de ir embora sem muitas explicações predominava em seu discurso paupérrimo, dizendo apenas que sumiria da minha vida, bem como, jurou todas as vezes em permanecer nela para sempre.

Se foi sem fazer cerimônia.

Eu procurava a culpa onde não tinha como forma de resposta à sua ausência e consolo para os meus tormentos, de outro modo, o alívio ia ganhando espaço. Tinha em mente que sem demorar muito, iria se arrepender. Por isso, deixei ir, na certeza que não encontraria outro alguém que te fizesse tão especial quanto fui capaz de fazer. A minha intuição não costumava falhar, te disse isso com essas palavras por telefone, lembra? Ainda acrescentei que poderia ser tarde, que poderia mudar de ideia e fazer outros planos nos quais você já não estaria mais incluso.

O tempo foi passando e me ensinando a reeducar as minhas vontades, fui me adaptando a rotina e controlando a abstinência da sua presença. Vez ou outra, seu nome saltava no meio das conversas com as amigas numa mesa de bar, mas nada que viesse a tirar o meu sono como em outrora. Recriei metas, comecei a ver a vida por outra perspectiva e já conseguia olhar para trás sem o peso de saber que não estava comigo no presente. Estava nova, restituída e talvez pronta pra outra. Estava muito bem obrigada, em minha zona de conforto para desejar a sua volta. Por um momento, jurei não te querer, e tudo fluía bem.

O mundo deu algumas voltas. Girou num movimento cíclico e favorável em torno de nós, parando no mesmo lugar. Ironia do destino? Infeliz coincidência? A suada e gradativa construção foi abaixo com o “sopro” da sua aparição, tal qual a estória dos três porquinhos. Entre a minha quase instabilidade emocional, você me confunde, me desestabiliza toda. Aí vem, me vira do avesso só pra provar por A + B que o avesso é o nosso lado correto, que é de dentro para fora que a mudança acontece. Descortinou o meu ego. Perdi meu orgulho pra te ganhar novamente, o seu jeito errôneo em não saber se expressar como lhe convém é a medida assertiva para harmonia dos nossos contrários, somos o errado que deu certo, o avesso do verso em reverso.

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”