Escrevi uma mensagem bonita para explicar o quanto eu estava apaixonada por ele, mas precisava esquecê-lo. Escrevi uma mensagem porque temia olhá-lo nos olhos e morria de medo de evidenciar minhas emoções. Paguei o preço por ter tentando esconder minha fragilidade. Enviei um belo de um texto para explicar como eu me sentia, mas diante de um dilema tão complexo, ele não compreendeu porque escrevi oitocentas palavras se era para “dispensá-lo” no fim. Ele absorveu a frieza de uma conversa à distância, tanto que pensou que bastava eu ter dito: “suma da minha vida”. 

Ele, tomado de surpresa, só gravou na cabeça as últimas e menos importantes palavras: “não me procure mais“.

Ah, se ele tivesse presenciado minha dor ao escrever aquilo… Se ele tivesse visto de perto meu medo pela despedida, entenderia, quem sabe, aquele pedido de um jeito diferente. Despedaçando todas as minhas esperanças, ele avisou friamente, que se afastaria pra sempre de mim, sendo que tudo o que eu precisava era de um tempo. Talvez, de apenas um dia. Na louca e urgente tentativa de esclarecer meus sentimentos, continuei com a péssima ideia de falar sobre nosso futuro, sem estarmos de corpo presente. Era pra eu ter dito: “onde você está? Vou aí falar com você”.

Mas, mais uma vez, temi encará-lo de frente, e perdi a chance de fazê-lo me entender através da profundeza dos meus olhos.

A cada mensagem enviada, eu estava desabando por dentro. Ele, por outro lado, não se manifestou contra minha atitude, apesar de estar explícito seu descontentamento. Ali, éramos duas crianças que desconheciam o valor de um rápido encontro. Éramos dois adultos, preferindo acabar com tudo de um jeito mais fácil – e infantil. Ele assinou embaixo num contrato que eu tanto rezei pra que ele rasgasse em mil pedaços. Ele rubricou em todas as vias invisíveis. Reconheceu firma. Preferiu revogar nosso acordo tácito de fazermos as coisas darem certo. O seu “ok” digitado ao final da conversa, poderia ter virado um abraço digno de despedida – ou de reconciliação. Mas não passou de um adeus.

Assim, fica um aprendizado com essa história: nenhuma mensagem bonita substitui o valor de um encontro. Ou melhor, nunca tente esgotar um assunto à distância, se existe a possibilidade de fazer isso pessoalmente. Esqueça a urgência. Esqueça a vontade incontrolável de contar como se sente através de uma tela de vidro. Esqueça a covardia. Esqueça essa ideia de encurtar os caminhos no século XXI. Por causa do medo de mostrar minhas fraquezas, perdi a chance de olhá-lo nos olhos uma última vez. Ou quem sabe, se eu tivesse o encontrado, nem a última vez seria.

 

Camila Barretto.