E, de repente, meu celular vibrou, fazendo meu coração acelerar feito um carro de Fórmula 1. Peguei o aparelho em uma fração de segundo, só pra ver de quem era a mensagem dessa vez. Meus olhos, esperançosos, desejaram ler seu nome. Meus olhos, satisfeitos, festejaram a vitória. Era você, e seu característico “bom dia” sem muitas palavras:

— Bom dia.
— Oi, bom dia. Pode ter certeza que agora o meu dia ficou muito melhor. Tudo bom?
— Tudo ótimo. E aí? Fazendo o quê? 😉
— Resolvendo umas coisas e pensando em você, como sempre. Quero ver se consigo sair mais cedo hoje.
— Que bom! Sexta-feira merece mesmo um descanso.
Que tal sairmos juntos hoje? Quais os planos pra mais tarde?
— Hoje vou assistir um jogo. Por quê?
Bem que a gente podia namorar, né? Deixa pra lá. 🙂 Só perguntei por perguntar. Vou voltar ao trabalho. Beijos.
— Então, tá. Beijos.

E assim, mais uma vez, me pergunto que rumo a nossa conversa tomaria se eu não tivesse dosado tanto as palavras. Se eu não tivesse tido medo de quebrar minhas expectativas, se eu não me escondesse demais. De novo, eu inventei qualquer desculpa pra mudar de assunto e fiquei pensando se é isso também que acontece do seu lado. Se ao invés do “tudo ótimo”, você quis dizer que sente muito a minha falta. Que o descanso merecido de sexta, na verdade, foi uma indireta para me incluir em seus planos. E que o jogo que você vai assistir, não passou de uma estratégia para sondar até que ponto eu estava interessada em estar ao seu lado. Entre mensagens subliminares e sentimentos censurados, eu vou me equilibrando na fina corda de um desinteresse mentiroso, pensando em dizer o que sinto, mas sempre agindo com cuidado. Afinal, quem nunca? Mais uma vez, me questiono se o seu “bom dia” também queria me dizer outras mil coisas. Coisas ocultas que, assim como eu, você achou melhor deixar pra lá.

Será que suas mensagens dizem tudo que seu coração precisa ou, assim como as minhas, também têm um toque de subliminaridade?

 

Camila Barretto.