“(…) Metade do seu coração era grito e fúria, imaginação e obsessão que não a libertava do inferno em que estava inserida e que só a fazia sentir-se cada vez menor e mal-amada. Por outro lado, preferia a metade que sofria calada, que sabia da culpa, mas tentava desculpá-lo com todas as forças, pois ainda o enxergava como um ser humano submetido à erros e acertos.

Preferia essa metade que não media esforços para lembrar dos bons momentos e que carregava tudo como uma grande lição, benéfica e madura para sua vida. Essa preferência não significava que iria aceitá-lo de volta, mesmo existindo a tentação de tê-lo em seus braços novamente, nem que fosse uma última vez.

Apenas preferia mil vezes essa metade do coração, pois era a parte boa e pura que ainda lhe restava, e que sobrevivia digna, mesmo depois de tanto mal que presenciou. Se pudesse cortar o seu coração ao meio e jogar fora a primeira metade, assim o faria, pois sempre soube que para colher coisas boas no futuro, é preciso livrar-se de todo mal, amém.”

Camila Barretto.

Trecho do Texto “Met-ade de mim”.