Hoje o telefone tocou. Hoje eu assisti dois episódios da minha série preferida e achei um porre. Hoje teve cara de segunda-feira, e o meu rosto ficou sem maquiagem. O cabelo ficou bagunçado. Hoje eu enchi meu dia com várias coisas, mas acabei não fazendo nada. O dia foi cinza. O vento entrou e saiu, a porta bateu. O copo de vinho esvaziou tantas vezes, até que o gargalo da garrafa foi considerado mais fácil. O relógio girou inúmeras vezes, e eu permaneci no mesmo lugar. O dia foi chato, mas eu deixei.

Algo apertou meu peito o dia todo, e eu fiquei inquieta, angustiada. Às vezes, gostar de você faz falta. Mesmo com todos os problemas, eu me sentia bem e plena. Abri mão de muita coisa pra deixar o amor partir e manter você aqui, mas hoje doeu, e eu deixei. Te amar foi a coisa mais complicada que eu já fiz, mas te esquecer é a coisa mais esquisita que venho fazendo. É estranho ter que deixar o amor mais forte que você já sentiu ir embora. É por isso que às vezes dói, e eu deixo doer.

Você foi vício. Me consumiu, me deixou cega, me desnorteou. E agora meu corpo tenta se desintoxicar.

Não se preocupe, eu não volto. Eu não sei mais como voltar. As lágrimas secaram, e ainda me sobrou você. Aprendi que amor é isso, e você passou. Mas às vezes eu me pergunto “e se?”, eu confesso. Às vezes, a saudade do seu jeito, do seu riso, do nosso “nós” me perturba, me visita, me consome. Não tem remédio, não tem cura, mas aprendi a evitar. Hoje não teve você, teve o passado. Hoje eu revivi nossos momentos. Ouvi nossas músicas. Vi aquele filme que chorei por lembrar de você. Hoje encontrei o meu eu que te amava. Hoje eu senti saudade.

Como disse, sei como evitar, mas me permito sentir porque foi a forma que encontrei de ter certeza que ainda tenho um pedaço de ti.

Eu sei que estou enlouquecendo, desculpe-me.

 

— Gi Farneti

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Um pouco sobre ela: Uma simples estudante do Ensino Médio, que em meio ao caos do monótono cotidiano, e das profundas paixões, faz das palavras, o seu abrigo. Caminhando pra cursar Direito, fez-se poesia! Percorre os extremos entre ódio e amor em cada verso!
Página: www.facebook.com/gifarneti