Na primeira vez em que ele voltou atrás de um encontro que havíamos marcado, eu presumi que eu nunca iria estar, de fato, dentro dos seus planos. O que doeu mais naquele dia, talvez, foi a sensação de que ele havia esquecido do nosso compromisso. Após ter sido tomada por um azedo sentimento de desengano, me senti frustrada: por ter sido capaz de cancelar qualquer coisa só para estar com ele; por ter contado os dias para vê-lo de novo. E o mais importante: por tê-lo colocado como uma prioridade em meus planos. Algo que, evidentemente, ele não havia feito por mim.

Na primeira vez em que eu me afastei, eu disse pra ele que era melhor esquecer tudo aquilo que tínhamos vivido. Ele relutou um pouco, mas, como ainda era o início de tudo, ele preferiu acatar minha decisão. Foi uma despedida rápida e fria. Depois desse dia, evitei dar sinal de vida e até me surpreendi com a minha obstinação. Com o passar das semanas, minha decepção foi sendo transformada em um orgulho infringível. Continuei com seu número salvo na agenda, mas uma força dentro de mim não me permitiu que eu o procurasse de novo. Não vou mentir e dizer que foi fácil. Foi difícil não saber quanto tempo eu demoraria até voltar a ficar bem.

E assim, os dias foram passando…

Nesse meio tempo, tentei esquecê-lo. Saí com as amigas e falei sobre coisas da vida. Passei várias noites em casa, refletindo minhas prioridades. Renovei minha playlist, deixei até de ler alguns livros porque as estórias, de maneira muito curiosa, insistiam em lembrar a história da gente. Por fim, tive dias de completo silêncio. Nesse meio tempo, eu me recolhi e não me reconheci dentro da minha própria frieza. Mudei meus horários para não encontrá-lo, rezei para que não precisássemos falar ao telefone, me escondi pelos cantos temendo uma grande coincidência do destino.

Nesse meio tempo, busquei, com toda boa vontade do mundo, novas companhias que pudessem suprir a lacuna invisível em meu peito. Aceitei convites, que antes, seriam refutados. Contudo, era manifesto o meu incômodo em olhar em outros olhos. Olhos estranhos. Ninguém me arrancava os mesmos sorrisos de um jeito tão fácil. Ninguém me fazia sentir tão confortável no meu próprio íntimo. Ao final de cada novo encontro, eu me sentia jogada ao relento. Mas eu tentava, de todo jeito, contornar aquela sensação de abstinência.

Uma eternidade se passou, mas o calendário insistia em dizer que estávamos distantes há apenas quatro semanas. Após quase trinta dias, me contaram que ele foi a minha procura. Por sorte, – ou azar, eu não estava. Nesse mesmo dia, inclusive, ele me enviou uma mensagem, dizendo que tinha ido me ver, que queria saber notícias minhas. Uma simples mensagem como se nada tivesse acontecido.

E o tempo que antes, parecia estar correr pela metade, se tornou, novamente, inteiro.

 

Camila Barretto.