A melhor coisa em um amor recém-nascido é ter a chance, quase que “irrepetível”, de se deleitar, sem pressa alguma, em suas primeiras pegadas. Antes de qualquer toque, têm-se os primeiros olhares, os primeiros sorrisos, as palavras primárias. Palavras que chegam feito plumas em nosso ouvido e fazem cócegas de amor em nossos estômagos. Guarde essa sensação ímpar num baú, você pode precisar relembrá-la, um dia, quando sua alma estiver cansada demais para se sentir assim de novo.

Assim também, devemos fazer com o som da voz de quem amamos, e embora a conversa não possa durar muito, leve-a, como um consolo, pra dentro. Guarde como um presente aquele “olá” carregado de sotaque e malícia. E sim, guarde essa voz que tanto ama, especialmente, se você a ama em silêncio. Não perca a chance de tê-la presa em sua memória, pois você poderá rebobiná-la, quando estiver sozinho em casa.

Ouvir a voz de quem se ama é como ler um bom livro deitado numa rede em um domingo nublado. Sente e escute-a com carinho. Agora, leia essa voz sem pressa, perceba todo o sentimento embutido. Ouça-a sem ruídos e lembre dessa voz nos momentos mais (in)oportunos: no banho, enquanto a água escorre pelo rosto, num ônibus lotado, no seu travesseiro macio. Eu sei que um sorriso te acompanhará nessas lembranças.

Delícia mesmo é ouvir o som da voz de quem se ama, delícia é senti-la ao pé do ouvido… Hoje, ouvi sua voz pela terceira vez na vida, e cada vez ainda é como a primeira. Parecia como um dueto ou um concerto, mas era apenas uma inesperada conversa ao telefone, com você, puxando assunto do outro lado. Prolonguei o ritmo, adocei minha fala. Quando me vi, estava rindo e nada mais era importante. Quando desliguei, o mundo ficou mudo, e eu só conseguia ouvir um único som: as batidas do meu coração acelerado.

Camila Barretto.

Desafio das Palavras (a versão dela).