Há alguns meses, me perguntaram quantos amores eu já tive na vida, daqueles memoráveis, capazes de deixar rastros na poeira do tempo. Mesmo com a idade que tenho, prontamente me senti segura pra responder, aos suspiros. Ainda nem cheguei aos 30, mas já coleciono, com muito carinho, cinco amores dentro de mim.

Engana-se quem acha que esses amores estão atrelados às pessoas que, porventura, já me deixei encantar. Decepciona-se, talvez, quem tem a expectativa de que vou elencar aqui uma lista de amores personificados. Não vou citar nomes. Simplesmente, de modo impessoal (e ao mesmo tempo, tão particular) desejo contar sobre os cinco amores que competem unicamente a mim, que fazem parte da minha trajetória, e que, mesmo já tendo presenciado o rompimento de vínculos, continuam perenes. O fato é que, os relacionamentos podem até acabar, mas o amor não. E, só por isso, são amores eternos, inesquecíveis.

Lembre-se: quem tem amor não dá, compartilha. Os amores, na verdade, nos pertencem.

Assim, como posso esquecer-me do meu Amor Inocente? Esse amor, que geralmente nos acomete na infância, também pode nos pegar em outras fases da vida. É um amor que não tem malícia nas intenções, que se enrubesce com o toque, e que tem ares de paixão. A diferença é que ele faz planos de durar pra sempre. E dura. Esse amor eu não esqueço por sua transparência e por sua castidade.

O meu Amor Amigo também é muito marcante. É o amor-parceria, na saúde e na doença, na tristeza e na alegria. É aquele que sobrevive da companhia e do companheirismo. Que torce pelas conquistas e supera as diferenças em nome da boa convivência. Um sentimento que nos faz buscar entender as expectativas da pessoa amada, fazendo de nós, menos individualistas. Talvez seja aquele que se aproxima mais da ideia de amor genuíno.

O Amor Inconsequente, por outro lado, é o mais irracional de todos. Abocanha o peito e faz morada, nos faz amar por inteiro, sem medidas e sem ponderações. Ele nos leva a cometer loucuras só pra saciar o desejo de amar e se sentir amado. É o amor capaz de salvar a vida de alguém.  O Amor Concreto faz parte da lista dos inesquecíveis, especialmente por ser o mais palpável. É ele que, com toda a sua maturidade, faz acontecer. Ele é claro e se mostra sem eufemismos. Busca pelo recíproco, conquista pela certeza e ensina o óbvio ao coração. É o espelho do Amor Impossível, e nos traz conforto pela sua clara acessibilidade.

Mas, o Amor Impossível, mesmo com toda a sua contrariedade, também não dá pra esquecer. Pois ele, diferente de todos, nos desperta a fantasia da maneira mais irreverente, nos deixando insanos e insones. Ele é um amor que não deve ser subestimado, pois, mesmo que não seja consumado, pode nos acompanhar pra vida toda. É o único capaz de nos fazer valorizar aquilo que já temos. Pelo menos, é o que precisa acontecer, em algum momento, quando aceitamos o fardo da sua impossibilidade.

Relembrar os cinco amores que nunca esqueci, só me faz ter a certeza do quanto pude aprender com suas peculiaridades e imperfeições. São sentimentos que já andaram de mãos dadas em diversas circunstâncias da minha vida. Amor Concreto misturado com Amor Amigo, Amor Impossível com pitadas do Inconsequente. E aí, nesses vinte e tantos anos, eu enxergo que uma pessoa pode ser amada dos mais diversos jeitos ou de um jeito único, afinal, várias formas de amor coexistem e se misturam em sintonia dentro de mim. O elo que une esses amores será sempre a eternidade. É isso que os difere da paixão.

E você? Quantos amores já teve na vida?

Camila Barretto.

— Desafio das Palavras (a versão dela)

Paulino x Camila Barretto

“Desafio das palavras” é um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Dois poetas, cada um com seu olhar sobre o tema/título.