Por muito tempo busquei entender o motivo pelo qual a maioria das pessoas possui um receio gigantesco em mergulhar de corpo, alma e coração em relacionamentos que caminham para serem intensos. Mesmo afirmando gostar muito do outro, para elas, dar um passo a mais é como doar o fígado ainda em vida.

Seria mais confortável ficar no raso, colocar só a ponta dos pés, do que se molhar por inteiro num mar de sentimentos? Essa indagação era constantemente confusa, não fazia sentido. Ficar em cima do muro parecia ser mais seguro do que decidir pra qual lado pular.

Observei em volta e vi que a questão que as rodeavam não era assumir um relacionamento sério em si, mas uma relação atrelada a intermináveis cobranças, ao peso de ter que dar as devidas satisfações que geram o autocontrole e consequentemente, a dependência.

Nem tudo é mágico como nos contos de fadas, as vivências são puramente reais e com as dificuldades próprias, eu sei. Mas é que estamos assolados a um fardo de assumir um compromisso por medo de dar a cara à tapa e se ferir. De fato, ninguém estará imune a isso. Mas há belezas que só serão desvendadas quando quebrarmos a nossa zona de conforto, quando quebrarmos os grilhões das nossas certezas.

Não existe receita pronta.

Aí vai um recado: não deixem que o cárcere desse mundo perverso lhes roubem a chave que abre as grades da prisão que liberta. Escolher ficar quando se tem a opção de partir, muitas vezes, é exercício que nos torna seres melhores. O mundo tem pregado o inverso, mas já parou pra analisar o quanto é magnífico compartilhar as coisas simples? A vida tem mais graça quando compartilhada, pode acreditar. Faça o teste! Deixe um pouquinho a sua vaidade, o orgulho e a autossuficiência de lado e experimente esse novo. Vale muito a pena.

 

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”