Gostaria de falar do jeito que eu escrevo; mas, para isso, eu deveria ser cego, já que quando olho alguém nos olhos, penso mais em lê-los a falar pra eles. E, nessa leitura, esqueço de pensar. Há quem diga que sou muito calado. É estratégico; não penso rápido, logo falar seria burrice. Uma pessoa que queira uma boa conversa comigo deve ser primordialmente paciente. Ao menos comigo. Mas a vida me ensinou que as pessoas não o são; assim mais escuto que discurso.

Não escrevo porque pedem, mas porque peço. As palavras escritas são a consequência do que realmente quero dizer; se sou emoção, então preciso pensar mais pra pensar direito. Pena que isso me faz fora do tempo dos demais.
Quem me dera, amigos, eu pensasse na mesma velocidade que vocês. Quantas possibilidades, quantos problemas resolvidos. É, tenho problemas consequentes disso.

 

Mas, o que fazer?


Sobra a convivência com esta mente lenta e preguiçosa; esta alma poética sem proveito…em tempos como esse, pra que versos? Os versos são tudo o que tenho; eles são a fala atrasada, a piada certa na hora errada…mas são honestos estes versos, são do meu caráter. Como caráter costuma ser algo bom, então ainda não tenho vergonha deles. Eles são o melhor que consigo dizer em meio à minha irracionalidade.

Paulino Solti (escritor parceiro)

 

 

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Um pouco sobre ele: de dia, analista de sistemas; à noite, um poeta em construção. Um ser que oscila entre exatas e humanas, tal qual sua personalidade: uma gangorra em que brincam o “pé no chão” e o “sonhador”.

Página: www.facebook.com/paulinosolti