Dentre tantas perturbações, decidi bater o martelo, o qual decretou o nosso fim. Guardei os momentos alegres num lugar especial, risquei as datas significativas do calendário, te anulei e deixei o suposto ponto final em silêncio. O sentimento “sem nome” estava à um passo de ser encerrado. Com a coragem que surgiu, sabe-se lá de onde, internalizei a ideia, e a princípio, deu muito certo.

O tempo foi passando e se responsabilizando de colocar cada coisa no lugar. Uma a uma. A minha cabeça já não pensava tanto em ti, os meus fins de semana estavam lotados das festinhas de balada agregadas às ressacas matinais. A rotina já não era a mesma. Eu dava uma de desentendida e isso era o bastante pra você desaparecer aos pouquinhos, ou aos muitos, da minha vida.

Até que, por um deslize, meu celular vibra no meio da madrugada de um dia qualquer. Destravo, e vejo uma mensagem sua escrita com todas as letras garrafais: “SAUDADE”. Os meus olhos brilharam, aposto. O meu coração deu aquela acelerada básica e o meu sorriso, ah, este me faltava rosto pra caber de tão largo.

A mensagem rasgou a veracidade mais oculta que fiz questão de esconder com tanta cautela. Fiquei destreinada. Não tinha cabimentos! Você deixou claro que não queria nada sério, pois então, que ao menos respeitasse a minha decisão em me ausentar. Mas nem isso. A realidade é que você sempre foi mestre em me tirar do sério.

Aquele recado resumido em apenas uma única palavra foi suficientemente agradável para mudar o meu humor e assumir o que por dentro gritava: “DE SAUDADE EU NÃO MORRO NUNCA MAIS”. E assim, começou um novo ciclo de desejos, onde o maior deles era ter você inteiro só pra mim.

Nunca soube que praga, maldição ou que doença do século te contaminaria, ao assumir para todos que gosta de mim, mas queria muito saber. É tão bom que chega a ser nocivo? Não entendo. É confuso vivermos a mercê de um martírio por egoísmo. E eu, o que faço com a saudade? Poderíamos matá-la, garanto que seremos presos por esse crime duplamente qualificado, mas que essa pena seria absolvida.

Fixo as ideias e faço planos de que, se você fosse meu, transformaria essa sufocante saudade em presença constante, e o único desequilíbrio seria escolher entre te beijar primeiro e te abraçar depois. Ou os dois juntos. Se você fosse meu, gastaria horas fazendo cafunés até pegar no sono. Se você fosse meu, a vida certamente não cessaria os problemas, nem estaríamos livres dos riscos inerentes, mas ajudaria a enfrentá-los.

Ah, quem dera, se você fosse meu…

 

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”