Frequentemente, me pego refletindo no tanto de coisas que eu penso. Reflito quantas vezes já imaginei mil palavras e fiquei calada ou disse, justamente, o contrário. Minha mente, como o olhar de muita gente, é desprovida de voz e reza calada os seus anseios.

Já que meus olhos, por vezes distraídos, não enxergam o evidente, os dizeres que mais se encaixam a mim são: ah, se minha mente falasse! E assim, acontece: nossas mentes, mudas, pensam descontroladamente. Por mais verdadeiros que sejamos, por mais sinceros que tentemos transparecer, é humanamente complicado falar e-x-a-t-a-m-e-n-t-e tudo o que está em nosso pensamento. Aliás, despejar a verdade nua e crua, tal qual se encontra em nossas entranhas mentais, seria uma catástrofe e tanto.

Filtros são necessários. Prefiro guardar as palavras em seu estado bruto, para dizê-las quando oportuno. Isso é a coisa mais comum de acontecer, mas algumas pessoas vinculam a omissão ou contenção de pensamentos à falta de sinceridade em seu sentido mais negativo. Contudo, não falar tudo o que pensamos é um mecanismo de autodefesa, e indubitavelmente, nos exige autocontrole. Reforço então, que minha mente não mente, mas felizmente, entre ela e minha boca existe o bloqueio natural que impede que ocorram acessos – embaraçosos – de verdades.

Quem nunca imaginou um carinhoso “estou com saudades”, e apenas disse o cabível “quanto tempo!”… Quantas vezes nossa mente esbravejou um irresistível “me beije”, e de nossas bocas saiu um sussurrado e sufocante “até mais”. E assim, não tão raro, nessa secreta jogada da mente, o “estou triste” vira “tudo bem” e o “eu te amo” se reveste em silêncio.

Camila Barretto