Sim, nós brigamos, mas sabe de uma coisa?

O pior de tudo não foram os erros, foi a indiferença. Nós sempre fomos assim. Fogo contra fogo, fúria sobre fúria e isso não é algo ruim sabe? Sempre gostei de nossas brigas, porque era o momento em que me sentia mais conectada a você. Nunca tivemos medo de dizer um ao outro o que realmente sentíamos e isso me deixava, além de revigorada pela adrenalina, ansiando por nossa reconciliação. Mas dessa vez foi diferente.

Você errou e eu não levantei a voz. Você não pediu desculpas e se calou. A pior parte de tudo foi ver o sonho ser esquecido, a falta do seu “bom dia” logo pela manhã assim quando eu acordava. A rotina mudando drasticamente. E eu não sentia apenas falta de você. Era algo mais. Eu sentia falta de nós, de mim. De como eu era e me sentia bem por estar ao seu lado. Das suas inúmeras tentativas bem sucedidas de me fazer ciúmes. Sentia falta de rir das coisas simples e escutar os seus dramas sobre o mundo, a vida, e as consequências dela. Te consolar e intensificar o quão maravilhoso você é, se tornou algo carinhosamente visto por mim como prioridade, diariamente.

Sempre quis que você se olhasse com meus olhos e então, todos os seus medos e dúvidas desapareceriam. Mas você não conseguiu. Ou, pelo menos, ainda não. Na verdade, nem sei se um dia conseguirá. Agora estou aqui sobre a cama, pensando pela milésima vez no dia se tudo aquilo foi sentido apenas por mim. Se todos ao meu redor estavam certos quando me mandavam desistir, quando diziam para eu me afastar de você, mas o pior de tudo é que mesmo o mundo inteiro querendo que eu vá e me dando motivos cabíveis para ir, eu continuo aqui. Continuo esperando seu bom dia, suas crises, seus erros. Você. E por mais que eu saiba que você está errado e que nem se deu ao trabalho de se desculpar eu permaneço aqui.  Idiota? Talvez.

Mas quem liga para a opinião dos outros? Aprendi em meio a esse mundo de opiniões massificadas que ter a própria é uma raridade. E aqui continuo. Não apenas esperando, mas vivendo. Quando, de repente, a tela do celular brilha e todas as minhas inseguranças somem. Sim, é você.

“Oi… Eu não queria ter te deixado esperando. Me perdoa.”

E por mais que o mundo diga não, mais uma vez ,você tem o meu sim.

 

 

Flora Medeiros (escritor parceiro)

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Um pouco sobre ela: Sou pernambucana, tenho 19 anos e escrevo desde os 14. Já fiz intercâmbio para Nebraska, Estados Unidos, e foi lá que minha paixão pela escrita e leitura decolou. Meu passatempo preferido é assistir filmes. Além disso, amo fotografar e desenhar.

“Vir à flor, à tona, à superfície, emergir, assomar, aflorar!”

Página: http://www.facebook.com/afloraando