Já não preciso estar dormindo para representar mentalmente as cenas da pessoa amada, já não preciso estar em repouso absoluto, nem acompanhada de um travesseiro ou da cama confortável para a minha imaginação tomar conta de quem é, e da belezura que vem acompanhada de brinde. É vigilante, alerta, trabalhando, com muitos projetos em desenvolvimento, que te levo comigo o dia todo, todo dia, como quem leva um chaveirinho pendurado na bolsa. E no meio dessa rotina bagunçada, sonho acordada contigo. A calma da alma, a tranquilidade das minhas agitações, a solidão acompanhada da presença.

A motivação de novo olhar sobre as coisas simples da vida, o impulso de ser melhor no menor ato que seja, de se dar sem medo de errar e ser feliz é o complemento e o combustível que me move ao imaginar você. O desejo que me realiza, a vontade que me faz ir além das minhas incapacidades, a harmonia dos meus conflitos. Paradoxalmente, o fundamento da minha utopia tem a capacidade de transformar-se em realidade, pois é sonhando acordada que simbolizo o teu olhar paciente, o cheiro da pele, a voz serena, despertando assim os meus sentidos, dos mais reprimidos aos revelados.

Penso ser uma louca nesse mundo sã, ou uma sã nesse mundo de loucos. Eu não quero deixar de curtir essa fase, por mais louca que pareça. Tem sido prazerosa, e eu não ia me irritar se durasse por mais cem anos. Se for um sonho não me acorde, mas se for real não me deixe dormir, o meu desígnio é prolongar. Seria egoísmo da minha parte não querer dividi-la. Chegue aqui, vem dar outro sentido ao que ainda parece ter pouco. Alivie o pesadelo das suas demoras. Dos meus sonhos você já faz parte, mas fique à vontade para ser dono da minha realidade. A porta está só escorada, você conhece o caminho, pode entrar.

É como bem cantava Raul Seixas: “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, sonho que se sonha junto é realidade.” Se não for pedir muito, apresente-se na minha.

Giulia Christy (escritor parceiro)

 

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”