E naquele nosso encontro quase-acidental, no nosso esbarro genuíno de destinos, me senti acolhida por seu abraço de palavras. Você me deixou essa impressão especial de algo que só acontece de vinte em vinte anos, como um cometa que passa e some, e só por isso, não quis te perder de vista.

A cada noite estrelada, sentei à sua espera, preparei minha luneta, mesmo sabendo que não seria tão fácil ter sua presença brilhante a hora que eu mais queria. Falar com você, em uma única noite, me deixou vestida com um agasalho felpudo e confortável, e, na minha boca, senti um doce gosto de expectativas.

Ah, a expectativa… Saboreei por breves minutos esse doce tão perigoso, que quando não usado para o bem, torna-se um dos venenos quase mortais de outrora, daquele que me embriaguei quando investi demais onde não havia nada e nem ninguém pra amparar minha queda. Porém, existe algo muito diferente entre inventar expectativas e vê-las, espontaneamente, criando vida aqui dentro.

Quando pensei que aquela noite seria um ponto final fantasiado de vírgula, como tantas vezes já aconteceu em meus velhos carnavais, na tarde seguinte, você me ligou e me lançou um dos melhores convites que eu poderia desejar. Meu sorriso quase não coube em meu rosto. Você. Me. Ligou.

Quem diria.

Camila Barretto.

Trecho do Texto “Um Amor Feito de Luz”