Um novo mês se abriu. A passagem do tempo ainda pouco me importava. Sem qualquer outra pretensão, minha vontade esperou até o décimo dia do calendário para poder chegar mais perto. Despreocupada e disposta a ser mais uma na sua longa lista de mundos alheios, te fiz um convite e deitei no sofá. Me distraí por um momento, e… surpresa! Você me respondeu antes mesmo de eu pegar no sono.

Eu admito: você superou qualquer expectativa que pudesse ser criada, me deixando visivelmente atingida por aquele atendimento personalizado. Com um ar cortês, você me ofereceu água, café e um sorriso de brinde. Ofereceu pra mim, para aquela estranha à sua frente, a maior gentileza humana: sua peculiar atenção. Atônita, cocei os olhos e nem pude acreditar que naquele mundo de frieza, você não se ateve apenas a me cumprimentar de longe.

Você me tocou. Disse oi, bem-vinda, pode entrar, fica à vontade. Achei aquilo tudo muito estranho e diferente, mas não fazia ideia de que o diferente era você, e estranha, no mínimo, era a minha reação. Senti calor nas suas palavras. Sem saber o que fazer ao certo, feito bicho acuado na selva, apenas pisquei com um olho, e saí sem soltar qualquer ruído, qualquer palavra que manifestasse minha satisfação por notar você falar meu nome.

Não queria te assustar. Educadamente, recusei seu café de boas-vindas, e me despedi com um sorriso mudo. Será que você já esperava minha visita? Dias depois, algo me levou a te procurar de novo. Foi preciso certa coragem para dividir meus planos com você. Sem fazer ideia do brilho que você era capaz de carregar, sem cobiçar qualquer luz própria que emanasse de você, vi em nós uma possibilidade de fusão criativa, que só eu mesma sou capaz imaginar.

Camila Barretto.
Trecho do Texto “Um Amor Feito de Luz”