Depois daquela tarde de quarta-feira, o que era rabisco virou desenho pronto, e o que era paz e quietude, tornou-se uma espera aflitiva por algum sinal ou retorno. Foi involuntário. Qualquer ligação era você. Qualquer batida na porta poderia ser alguém pra quem, nem sequer, eu havia passado meu endereço.

Na verdade, o que eu mais queria era uma garantia vinda dos céus, de que, tudo que aconteceu de abstrato nos últimos dias, se tornasse concreta realidade. Eu precisava confirmar até que ponto sua promessa era legítima. Ainda pouco te conhecia, e a minha incógnita era decifrar suas verdadeiras intenções. Saí, dei uma volta, peguei um avião. Enquanto minha mente se ocupava em apreciar o mar paradisíaco daquela cidade distante, achei ser mais fácil enfrentar o castigo do tempo.

Porém, a semana que se sucedeu foi um martírio, um mistério da espera e do silêncio. Meu celular travou os botões do tanto que eu ensaiei lhe arrancar qualquer confissão que fosse. Mas, no final desse ensaio, só havia a dança da paciência, com aqueles passos vagarosos que precisamos seguir sozinhos e que só a vida ensina no seu tempo. Coloquei as pernas pra cima e fechei os olhos.

Vi você lindo, indo pra bem longe, imaginei que o abraço e a espera iriam se postergar por anos a fio. Dormi envolta na canção, e me vi, assim, dançando eternamente no seu silêncio.

Camila Barretto.
Trecho do Texto “Um Amor Feito de Luz”