Aparentemente, mantive minha espera em segredo. Visivelmente, eu era alguém segura de um futuro que me parecia óbvio e certo. Por fora, eu era uma lady fazendo ioga na beira da praia, rosto esbanjando sorriso e serenidade. Por dentro, contudo, me vi uma velha ranzinza correndo no pátio de um manicômio, arrancando os últimos cabelos brancos que me restavam.

Destarte, eu tinha apenas duas simples escolhas: continuar nessa loucura, sentada no meio-fio da incerteza, a espera de um retorno seu. Ou, finalmente, ir atrás e te procurar pra saber, realmente, se eu já havia sido jogada no rol dos esquecidos. Insistência? Talvez. Mas, de modo bem dramático, pensei que eu poderia morrer amanhã sem saber que fim eu iria ter. Assim, a palavra que mais me assombrava era a dúvida.

Dúvida por não conhecer o que era verdade ou não. Dúvida de não entender o que haveria por dentro dos seus olhos. Dúvida por não saber quem eu sou, lá no fundo, pra você. E assim, eu precisava matar um pouquinho dessa dúvida, para conseguir ser eu mesma outra vez.

Camila Barretto.
Trecho do texto “Um Amor Feito de Luz”