O tempo é irrelevante. Trocaria uma década por dez dias, se fosse preciso para viver intensamente um sentimento, mesmo que imaginário. Só faz pouco mais de dez dias que eu realmente me dei conta de você, como ser humano e isso foi uma descoberta singular. Fora de todo aquele estereótipo que te cobre de estilo, não mais te percebi como “superstar”, tampouco como alguém por quem qualquer adolescente morreria de amores.

Eu te vi de verdade: um homem apaixonado e vivo, um filho amado provido de histórias, um pai de um lindo e amado filho. Foram apenas dez dias longos e extremamente intensos pensando coisas sobre você. Dez dias que poderiam ser comuns, como todos os outros desde que me fechei pra balanço, mas que foram permeados de “ondes”, “quandos” e “porquês”. Dias que me fizeram inquietar-me diante de minhas atividades mais prosaicas e cotidianas, como lavar pratos e desejar saber por onde você andava. Como escovar os cabelos e me questionar quando eu iria te ver de novo. Ou como ter os olhos turvos e me perguntar o porquê de tudo aquilo, simplesmente, precisar acontecer.

Essa sensação de não saber “como”, que por ora me inquieta e por ora me alivia por me fazer sentir tão viva, foi ainda mais atiçada quando eu vi que arranquei de você respostas imediatas. Sem rodeios, sem esperas infundadas, sem jogadas desnecessárias. Além de sua instantaneidade intrigante, ainda presenciei algo raro de se encontrar em algumas relações humanas: afinidade. Algo mútuo, recíproco e gratuito que me fez indagar se isso era só comigo. Certamente, não era. Mas eu queria imaginar que sim.

Camila Barretto.
Trecho do Texto “Um Amor Feito de Luz”