Já era tarde da noite quando você me notou de longe, mas não tão tarde para me sugerir um convite inesperado. Seus passos estavam apressados para alcançar os meus, e, no último minuto, houve um interesse um pouco sem jeito: “ei, vai pra onde? Vem comigo! Eu te levo!”.

Pensei rapidamente: “minha mãe disse pra eu nunca aceitar convites de estranhos, mas vamos combinar, nem sempre ela está completamente certa. Eu vou!” — E, para a minha felicidade, ela não estava. Não dessa vez.

Foi entre uma baladinha e outra que os nossos destinos se cruzaram.

Lá estava eu, resumida à doses de álcool, diante de um desconhecido, numa cidade jamais habitada. Porém, esse contexto era um detalhe à parte, o foco principal era a minha pura vontade de viver. E neste dia, pude ter a concretização do que é se permitir viver.

Um cara experiente disposto a ensinar o gostoso da vida, uma menina inocente, cedente para aprender.

A sua safadeza andava junto com o seu companheirismo, com o seu “jogo aberto” e foi isso que me fez compreender: era você, tinha que ser você e foi você!

O homem que abriu os caminhos pra me fazer mulher, o homem que respeitou a minha história e me aceitou como eu era. O homem que, sem dúvidas, conseguiu me fazer mais mulher como nenhum outro. O que tatuou o meu corpo inteiro com seus beijos e que será tatuagem permanente na minha história. Ainda que eu queira, não consigo apagar.

O primeiro e inesquecível.

 

Giulia Christy (escritor parceiro)

“Este texto faz parte da 2ª edição do Desafio das Palavras (Camila Barretto x Giulia Christy) – um jogo proposto com o objetivo de versar sobre temas vindos de fora pra dentro; inspirar-se ao contrário. Duas escritoras, cada uma com seu olhar sobre o tema/título.”