Todo mundo vê que você tem minha cara. Todo mundo te enxerga quando olha pra mim. Os seus amigos te contam quando me encontram na rua, apesar de nunca termos assumido qualquer tipo de relacionamento pra eles. Você sabe todos os meus passos sem nem mesmo ter me visto. É incrível como eles pensam em seu nome e já associam ao meu. É como aquela brincadeira de ir falando palavras que lembram as outras. Arroz lembra feijão. O Sol lembra a Lua. João é o par de Maria. E eu? Bem, todo mundo diz que eu sou o seu.

Somos feito aquele pingente da moda, onde, em dois corações partidos, vêm escritas as palavras que se completam: “best friends”. No nosso caso, trocamos a parte do Amigo e acrescentamos o Amor. “Best Lovers” seria o pingente que eu te daria. Mas como eu não tenho mais catorze anos, eu prefiro te dar meus beijos. Beijos que não precisam de bocas coladas pra acontecer. Beijos carinhosos que recebo quando você me abraça com força. Beijos quentes que trocamos toda vez que seu olhar me fuzila. Beijos escondidos, nunca dados, mas sempre sentidos. Todo mundo vê os nossos beijos invisíveis. Só a gente finge que não vê.

É que todo mundo enxerga o que vai além dos nossos gestos. As pessoas sentem a energia que o seu sorriso emana. As pessoas desconfiam o que há por detrás dessa força entre a gente. Paixão, desejo, loucura! – é o que o mundo todo grita pelos corredores. Tudo menos a simplória amizade que insistimos em transparecer. E eu nem preciso fazer uma tatuagem escondida com seu nome pra mostrar aquilo que eu sinto. O destino já se encarregou de te escrever em mim. O seu nome está marcado na minha testa feito tatuagem que segrega os bandidos. Um crime confesso em sete letras, tal como as da frase bonita:

A-m-o-V-o-c-ê”.

 

Camila Barretto.