É verão, só que ela ainda está presa num amor de inverno. Desses que fazem o corpo suar. E o coração… Ela não quer falar sobre o coração. Por favor, não. Obedeço. A cabeça não responde mais. Entrou em parafuso, ela tenta abstrair. Só que a única coisa que rola é seu corpo sobre a cama, procurando conforto. Contou que o sentimento que nutria se tornou um vício. Ela não chama de amor. É uma droga. Ele é uma droga. E ela, uma viciada.

Sabe que a droga faz mal, porém não consegue deixar de sentir falta. No início, a abstinência não foi problema. Acostumava-se a dizer que era forte e que não ficaria apaixo…, digo viciada. Ficou. O corpo sente falta, a calma não existe. Ocupar-se não adianta. Procurar algo para substituir o vício também não. O desejo de usar não passa. A verdade é que a droga fazia bem, afinal era uma droga. Drogas fazem bem, contrariando toda a propaganda negativa que os meios de comunicação tentam fazer. A sensação de usar é deliciosa, indescritível. Nenhum viciado se arrepende da droga, ele quer manter o vício, só que por vezes se torna tão destrutivo que acaba sendo impossível.

É a droga do amor, não tem internação, cura ou remédio milagroso. Só o viciado pode se ajudar, um velho clichê. Como se fosse fácil largar um vício…

Vini Severo (Escritor Parceiro).

 

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Um pouco sobre ele: Vinícius Severo, 32 anos, nascido e forjado no Rio Grande do Sul. Curso História e trabalho como jornalista. Não sei se o gosto pela leitura veio antes ou depois do delírio que tenho por boas conversas. E quando não estou em uma mesa de bar, alucinado em assuntos aleatórios com os amigos, converso com as palavras que se transformam em poesias, versos ou contos.

Página: www.facebook.com/textosdovinisevero.