Vai ser estranho quando não tiver mais jeito, quando essa brincadeira de adulto não tiver mais graça alguma. Vai ser estranho quando você for embora de verdade, trocar as chaves do seu coração e decidir não me deixar mais entrar – nem mesmo, pela porta dos fundos. Vai demorar pra cair a ficha quando você não me quiser mais, e quando sua ausência esporádica, se tornar, de fato, permanente.

Vai ser estranho não ter nenhuma fotografia sua pra guardar de lembrança, apesar de termos vivido tantos momentos dignos de bons registros. Será esquisito demais não te encontrar por aí, mesmo quando já me acostumei tanto em te querer por perto. Acho que até quem tá de fora vai estranhar nossa consumada distância, e se perguntarão o que aconteceu com o casal mal-assumido que nunca se desgrudava.

Um dia, tudo vai passar e, desde já, tenho que me conformar com isso. Um dia, você não terá mais recaídas e eu não terei o prazer de me jogar em seus braços só pra me arrepender depois, como sempre faço. Pode demorar um tempo, mas, quando você partir, você levará contigo todas as dores que eu achei que nunca passariam. E eu, por outro lado, jogarei fora toda a utopia de que seríamos, quem sabe, um casal de verdade.

Um dia, você se encantará por outra pessoa, e eu chorarei baixinho por perceber que fiquei no seu passado e nem mesmo, saberei te dizer o que fomos. Vou fingir que não, mas vai doer bem fundo quando eu relembrar, com certa nostalgia, dos seus braços e boca, quando eu notar que seus abraços e beijos já não vão mais servir pra mim. Quando você se apaixonar por outra, será finalmente, o estranho momento em que eu decretarei, do pior jeito, o nosso fim.

 

 

Camila Barretto.