(…) –Você me encanta, – disse Henrique, com os olhos cheios de sinceridade.

Ele continua dirigindo e eu observo que do lado de fora, a noite já se faz presente. Está escuro e o céu está sem estrelas. Lá fora está muito diferente do que acontece dentro de mim agora. Meu coração acaba de chegar ao Japão no momento exato que o dia amanhece. Os raios do sol aquecem meu corpo, tal como aquelas palavras de Henrique.

Você. Me. Encanta.

Os raios de suas palavras aquecem meu corpo de forma gostosa, e eu nunca mais quero que anoiteça dentro de mim. Aperto os olhos tentando responder à altura aquela confissão. Tentando esconder atrás dos meus lábios o meu sorriso idiota. Tentando fazer com que minhas pernas parem um pouco de tremer. Logo associo aquela sensação a um terremoto no Japão, e quero dizer que ele abalou todas as minhas estruturas, arrasou toda a minha paz edificada, estilhaçou as vidraças da minha razão. No entanto, me compadeço de minha própria vulnerabilidade e uso um eufemismo:

E você, – faço uma pausa necessária para ganhar algum ar – mexe demais comigo.

Ele me olha extasiado. Ambos estamos encantados com tudo aquilo. Ambos sabemos que aquilo tudo mexeu com a gente. Mas não conseguirei me recuperar tão fácil. Não tenho a quem pedir socorro, e sinto que sucumbirei sozinha debaixo dos escombros do meu próprio coração”.

Camila Barretto.

Trecho do texto “Vulnerável”