“Com dois bipes, ele destranca seu carro, e antes de se dirigir para o lado do motorista, ele decide abrir, rapidamente, a porta do carona para que eu possa entrar primeiro. Agradeço com um leve sorriso, mas ele permanece sério, pois não quer dar na cara que é um verdadeiro cavalheiro.

Por isso, não sorriu e abriu a porta da forma mais casual possível. Por isso, apenas movimentou a maçaneta, permitindo que eu fizesse todo o resto, sozinha. Por outro lado, eu não quero parecer tão desesperada para sair daquele lugar, e assim, subo lentamente os dois degraus à minha frente. Nunca entrei em um carro tão imponente, e quase precisei de uma verdadeira escada para conseguir escalar aquela fortaleza feita de metal preto, possivelmente blindado.

Seu carro é um castelo. Ele é o príncipe poderoso que dirige sua vida e a de todos que ousam entrar, um dia, em seu caminho. Inclusive, naquela tarde, eu entrei, e deixei que ele guiasse a minha vida.”

Camila Barretto.

Trecho do texto “Vulnerável”.