“Nas raras vezes que Henrique falou dela, imaginava que ela fosse tão magnificamente linda como ele. Pele, corpo e peitos incrivelmente atraentes. Pensei que fosse loira, sensual e refinada. Nada contra loiras sensuais, mas, simplesmente, pensei que ele elegeria alguém assim para ser a sua futura rainha.

Imaginei que sua aparência esbanjasse uma riqueza insofismável, que seu sorriso tivesse um branco inimaginavelmente reluzente, que ela fosse uma verdadeira deusa. Apesar de saber que eu não tinha chances diante de toda essa beleza surreal, queria que ela fosse assim, impecavelmente linda, rica e, quem sabe, até superficial, pois seria o oposto de mim, e me agradava o ego saber que fui capaz de vencer a perfeição.

Ele disse que a amava. Não entendi o porquê de amá-la e ser capaz de fazer o que faz, apesar de, do meu lado, acontecer quase que a mesma coisa. Mas aí, quando me lembro da noite que eu encarei secretamente, por dez segundos, uma foto deles em seu celular, eu entendi tudo. Entendi porque ele a amava. Ele amava o seu jeito de menina de cabelos castanhos. Amava seu sorriso verdadeiro nos lábios, mesmo que esse não fosse o mais perfeito dos sorrisos. Amava o olhar doce e ingênuo que os tornavam genuinamente únicos, mesmo que eles não fossem azuis como os dele.

Ele venerava suas covinhas na bochecha, sua simpatia, sua simplicidade. Era apenas uma foto, mas eu juro que senti o amor sincero bater no coração daquela pobre menina de sorte. Uma lágrima brotou nos meus olhos, e, de repente, me bateu uma vontade estranha de abraçá-la e dizer que eu sinto muito. De algum jeito, ela se parece demais comigo. A diferença é que ele não ama a mim.

Ele a ama. Agora eu entendo perfeitamente isso, pois também sou amada pelo que sou, mas, tenho o amor de outra pessoa.”

Camila Barretto.

Trecho do Texto “Vulnerável”.